PROPOSTA-MANIFESTO Laboratório de SocioExpografia

26.09.2020

PROPOSTA-MANIFESTO

Laboratório de SocioExpografia

"Expor é ou deveria ser, trabalhar contra a ignorância, especialmente contra a forma mais refractária da ignorância: a ideia pré - concebida, o preconceito, o estereótipo cultural. Expor é tomar e calcular o risco de desorientar - no sentido etimológico: (perder a orientação), perturbar a harmonia, o evidente, e o consenso, constitutivo do lugar comum ( do banal). No entanto também é certo que uma exposição que procuraria deliberadamente escandalizar traria, por uma perversão inversa o mesmo resultado obscurantista que a luxúria pseudo - cultural. ... entre a demagogia e a provocação, trata-se de encontrar o itinerário subtil da comunicação visual. Apesar de uma via intermédia não ser muito estimulante: como dizia Gaston Bachelard, todos os caminhos levam a Roma menos os caminhos do compromisso."

Michel Thévoz, Esthétique et/ou anesthésie museographique, Objets Prétextes, Objects Manipulées, Neufchatel, 1984, p. 167. Tradução de Moutinho (Moutinho, M. C. (1). A CONSTRUÇÃO DO OBJECTO MUSEOLÓGICO. Cadernos De Sociomuseologia, 4(4). Obtido de https://revistas.ulusofona.pt/index.php/cadernosociomuseologia/article/view/244).

 

Como investigadores de Museologia e profissionais profissionais da museologia e da área da educação e cultura, em contexto ibero-americano, constatamos a necessidade de desenvolver uma prática social da expografia condizente com a SocioMuseologia.

Pretendemos desenvolver com esta proposta a realização uma nova forma de relação da população com os museus, na qual a sociedade se apropria do espaço do museu e narra a própria história. Estas novas práticas demandam a reflexão sobre o fazer expográfico.

Reconhecendo mérito ao trabalho pioneiro e inspirador já desenvolvido no âmbito da Sociomuseologia, para nós é um desafio poder contribuir para a continuidade do mesmo, respeitando o seu rigor académico e a sua ação transdisciplinar no mundo contemporâneo. Pretendemos desenvolver com esta proposta realização de estudos teóricos e experimentações museográficas através de um projeto de investigação no âmbito da Cátedra UNESCO Educação, Cidadania e Diversidade Cultural, com o apoio do Departamento de Museologia e do CeiED -Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Desta forma, procuramos atender uma demanda social e uma lacuna teórica ainda não respondidas.

Isto se coloca como uma necessidade urgente, pois vivemos tempos agitados. A cultura e a educação são elementos estruturais do tecido social, mas a nossa democracia continua ameaçada por forças antidemocráticas, pelo esvaziamento interno da participação e pelo não-avanço nos campos social, económico, cultural e informacional.

Apesar de muito já termos avançado em relação a função social e ao papel educativo do museu, constatamos uma necessidade de desenvolver uma prática social da expografia e museografia condizente com esta nova proposta de museologia. Uma proposte de desconstrução desta
expografia tradicional: novas formas de expor, para novos tempos.

Tornar os museus verdadeiramente acessiveis e receptivos. Através da participação e da plena compreenção do dircurso expográfico por todas, todos e todes envolvidos. Acreditamos que a SocioExpografia pode ser ferramenta de aproximação entre os museus e a sociedade.

 

Práxis - Plano de ação

  • Propor uma metodologia em SocioExpografia;
  • Expografia e curadoria participativa;
  • Acessibilidade para diferentes formas de percepção e compreensão do discurso;
  • Sustentabilidade financeira, ecológica e social;
  • Promover rodas de conversa mensais (debates teóricos e estudos de caso);
  • Produção de artigos científicos e relatórios de trabalho;
  • Criação de uma rede de contactos e de trabalho em rede;
  • Organizar um centro de documentação online sobre SocioExpografia;
  • Propor uma agenda cultural de atividades nos Museus e na Comunidades;
  • Apostar numa relação de intercâmbio entre museus ibero-americanos;
  • Que o dircurso expográfico seja utilizado de forma consciente como uma ferramenta de intervenção social.

 

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